Com seriedade, CCR pode duplicar via e ainda apoiar a polícia com imagens em tempo real

29 Jun

Assim como todos os dias tem gente se planejando para pegar a estrada a trabalho, a passeio ou por alguma outra necessidade, há pessoas se preparando para diversos tipos de ações criminosas nas rodovias. No mesmo ritmo, agentes da Segurança Pública precisam se planejar e inovar para combater a criminalidade, que conta com avanços tecnológicos para driblar a fiscalização. Portanto, é necessário que os policiais também estejam cada vez mais amparados pela tecnologia no combate ao crime. Nesse quesito, caminhamos a passos lentos por falta de compromisso sério dos governantes com a Segurança Pública.

Em Campo Grande, por exemplo, falta investimento para monitoramento a partir de câmeras, mas não basta ficarmos reclamando a falta de recursos em um momento em que o país inteiro passa por crise financeira e política. É preciso pensar em alternativas e parcerias entre órgãos públicos ou com entes da sociedade, tais como pessoas e empresas, em especial aquelas que já possuem vínculo com o governo, como é o caso das concessionárias responsáveis por serviços do poder público. Afinal, a Segurança Pública é “dever do Estado, direito e responsabilidade de todos”, conforme o Artigo 144 da Constituição Federal.

Um exemplo de concessionária que lucra a partir do dinheiro público e poderia contribuir, e muito, com a fiscalização na BR-163 em Mato Grosso do Sul é a CCR MSVia. Responsável pela manutenção e duplicação da rodovia, a CCR alegou “dificuldades financeiras” e parou os serviços recentemente, mas não parou a cobrança do pedágio. Parece piada isso, afinal a empresa arrecadou R$ 291 milhões com o pedágio em 2016 e lucrou R$ 57 milhões. Espero que a Justiça faça a concessionária cumprir sua obrigação de duplicar a via até 2020.

Enquanto isso, nós devemos cobrar mais seriedade por parte de empresas que contratam com o poder público e até maior colaboração nas ações do Estado. Já trabalhei no setor de inteligência da Polícia Federal por muitos anos e sei como as imagens em tempo real ajudam sobremaneira no combate ao crime. Portanto, acredito que a concessionária poderia ceder à Polícia Federal (PF) e à Polícia Rodoviária Federal (PRF) as imagens em tempo real, captadas pelas mais de 300 câmeras que mantém na estrada. A CCR tem um dos mais modernos sistemas de monitoramento de tráfego, conforme divulgado em seu informativo, em janeiro deste ano. Com uma rede própria de câmeras, a empresa acompanha o movimento da BR-163 à distância, online, 24 horas por dia.

Não estou propondo que a CCR forneça as imagens depois de requisitadas por autoridade policial ou judiciária, mas sim que ela forneça, em tempo real, o monitoramento que já é feito nas estradas. É algo simples e totalmente viável. Equipamentos que são movimentados à distância, com giro de 360° e permitem rastrear cerca de 94% da rodovia, adquiridos com investimento amparado por dinheiro público, estariam sendo utilizados também para a Segurança Pública. Nada mais justo!

André Salineiro

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